Levantam-se junto com o sol nascente
Escolhendo o peixe e a espada
Lâmina bem treinada
Corte preciso e rente
A lâmina é sempre forjada quente
Um mira a presa pescada
Outro, com o arco, cavalga na estrada
No convívio escondem técnicas, sem soberba aparente
O samurai sonha ser o melhor guardião
O sushiman prepara a ova de esturjão
Faz sashimi do salmão
Os dois se dedicam de coração
Mais fácil filetar gente, ou peixe?
Diariamente utilizam a faca
Com finalidades diferentes
Thomás Sôlha
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
terça-feira, 27 de setembro de 2011
Complicado
Quem é o bicho mais pidão,
O homem, o rato ou o cão?
Um pega e rouba
Outro, pega do lixo
Outro pede com o olhar.
Não sei quem pede
Nem quem pega
Ou toma e esconde de mim
Só para si, maldito
Tão rato e tão cão conseguem ser os homens e mulheres vis
Mas não rouba por maldade o rato
E o cão não pede para acumular
O animal bípede sempre se supera na escrotisse
É um pouco complicado
Thomás Sôlha
O homem, o rato ou o cão?
Um pega e rouba
Outro, pega do lixo
Outro pede com o olhar.
Não sei quem pede
Nem quem pega
Ou toma e esconde de mim
Só para si, maldito
Tão rato e tão cão conseguem ser os homens e mulheres vis
Mas não rouba por maldade o rato
E o cão não pede para acumular
O animal bípede sempre se supera na escrotisse
É um pouco complicado
Thomás Sôlha
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
Não
O homem que não sabe dizer não, está morto
Jaz uma alma putrefa
Dentro de um corpo roto
Catando cinzas e latas
Quebrando e comendo pedra
Não diz não
Está morto
Ele não é
Ao mesmo tempo é um mulambo
Perambulando com a boca queimada
Sem amor
Nada
Thomás Sôlha
Jaz uma alma putrefa
Dentro de um corpo roto
Catando cinzas e latas
Quebrando e comendo pedra
Não diz não
Está morto
Ele não é
Ao mesmo tempo é um mulambo
Perambulando com a boca queimada
Sem amor
Nada
Thomás Sôlha
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
O pão em poema
O mel e a melodia
O pão e a poesia
O pão de cada dia
Mesa vazia
Mesa farta para uns
Pão em falta para muitos
Pão de mel é luxo
Mel puro é difícil
Mais difícil para as abelhas
Que roubam o néctar das flores do trigo
Na adolescência sorvi o néctar das Flores do Mal
Mas Charles não ligou
Amassa o trigo para formar a massa
A massa do pão, na mão
Fim do pãoema
Thomás Sôlha
O pão e a poesia
O pão de cada dia
Mesa vazia
Mesa farta para uns
Pão em falta para muitos
Pão de mel é luxo
Mel puro é difícil
Mais difícil para as abelhas
Que roubam o néctar das flores do trigo
Na adolescência sorvi o néctar das Flores do Mal
Mas Charles não ligou
Amassa o trigo para formar a massa
A massa do pão, na mão
Fim do pãoema
Thomás Sôlha
terça-feira, 20 de setembro de 2011
O homem do prédio
Mesmo que não faça nada
Todo mês já vem uma certeira
Além das outras, é claro, além
Procura um lugar na varanda
Tenta ver televisão de banda
Sempre alguém olhando
Algum escroto, espiando
Foi-se o tempo de lindos quintais
Belos jardins
Resta o canteirinho na janela
Nem toda ela
O homem do prédio se espreme
Entre contas, contos e poucos descontos
No final do dia encontra sua esposa
É ao menos um bom começo
Thomás Sôlha
Quem sou o eu que fui amor?
Aquelas rosas que eu comprei
A vermelha é linda
A branca secou
A laranja morreu
Ela nunca olhou.
Já cheirou meu hálito
Para saber se menti
Se havia fumado, ou bebido escondido
As rosas ela não cheirou
Dei de beber a elas
Quase me perguntaram porque tinham vindo
Minha flor nunca as olhou
Nem água botou, mas brotaram mesmo assim as rosas
as reguei, olhei, o sol iluminou
Os vizinhos viram
A faxineira viu
Ela nunca olhou as rosas, nem o bonsai ou as bromélias
Sabe de cor o extrato do banco
Quanto entra e com o que sai
Olhai as rosas do vazo
Transborda coração raso
Thomás Sôlha
A vermelha é linda
A branca secou
A laranja morreu
Ela nunca olhou.
Já cheirou meu hálito
Para saber se menti
Se havia fumado, ou bebido escondido
As rosas ela não cheirou
Dei de beber a elas
Quase me perguntaram porque tinham vindo
Minha flor nunca as olhou
Nem água botou, mas brotaram mesmo assim as rosas
as reguei, olhei, o sol iluminou
Os vizinhos viram
A faxineira viu
Ela nunca olhou as rosas, nem o bonsai ou as bromélias
Sabe de cor o extrato do banco
Quanto entra e com o que sai
Olhai as rosas do vazo
Transborda coração raso
Thomás Sôlha
O coração cordial
Bebe, fuma, cheira, passa
Corre o campo belo e limpo
Sangue roxo e vermelho
Bate-bate sem parar
É de dia, lê jornal
No domingo passa mal
Sangue limpo, campo vermelho
Bate, bate sem parar.
Flores lindas e o espelho
Corre rápido o campo lindo
Sem parar, indo e vindo
Bate-bate sem parar
Vem de noite já cansado
Não fica em casa sossegado
Todo dia um novo corre
Bate-bate a se zangar
Bate, bate sem parar
Sem tempero ou agonia
O relógio bate à meia noite
O coração, bem cordial
Bate-bate sem parar
Thomás Sôlha
Corre o campo belo e limpo
Sangue roxo e vermelho
Bate-bate sem parar
É de dia, lê jornal
No domingo passa mal
Sangue limpo, campo vermelho
Bate, bate sem parar.
Flores lindas e o espelho
Corre rápido o campo lindo
Sem parar, indo e vindo
Bate-bate sem parar
Vem de noite já cansado
Não fica em casa sossegado
Todo dia um novo corre
Bate-bate a se zangar
Bate, bate sem parar
Sem tempero ou agonia
O relógio bate à meia noite
O coração, bem cordial
Bate-bate sem parar
Thomás Sôlha
O fracassado
O fracassado se deu bem
Não foi convidado para a viagem
O presente, ficou sem
Mas lutou com apoio e força
O fracassado se deu bem
Teve mais crítica do que apoio
Levou um murro, mil, cem
Ergueu muros e paredes
Tentaram lhe derrubar
Empurraram e riram
Fracassado quem?
Thomás Sôlha
Não foi convidado para a viagem
O presente, ficou sem
Mas lutou com apoio e força
O fracassado se deu bem
Teve mais crítica do que apoio
Levou um murro, mil, cem
Ergueu muros e paredes
Tentaram lhe derrubar
Empurraram e riram
Fracassado quem?
Thomás Sôlha
Na penumbra da noite
Na penumbra da noite
Vejo três escolhas
Ramos, gravetos e folhas
Cozinhe-os
Corte mirepoix
Faça um bouquet garni
Um fundo, um caldo (...)
para esquentar a noite
Vejo três escolhas
(...)
Thomás Sôlha
Vejo três escolhas
Ramos, gravetos e folhas
Cozinhe-os
Corte mirepoix
Faça um bouquet garni
Um fundo, um caldo (...)
para esquentar a noite
Vejo três escolhas
(...)
Thomás Sôlha
Inconstância
São três passos para a escada
Quem sabe, três dias de estada
Prefiro uma vida bem vivida
Não uma noite mal passada
Na estrada, até não ir é um caminho
Só a folha cai sem escolha
E o pé de limão siciliano aromatiza
Um aroma tão romântico
São três passos no caminho
Degraus são tantos, como folhas, como escolhas.
Uma mulher vai bem acompanhada
Um velho vai sozinho
Cai uma folhinha do limoeiro
Outra cai do caderno, caminhando para o chão
Para na minha mão e vira poesia
Virá outra página e outra escolha.
Thomás Sôlha
Quem sabe, três dias de estada
Prefiro uma vida bem vivida
Não uma noite mal passada
Na estrada, até não ir é um caminho
Só a folha cai sem escolha
E o pé de limão siciliano aromatiza
Um aroma tão romântico
São três passos no caminho
Degraus são tantos, como folhas, como escolhas.
Uma mulher vai bem acompanhada
Um velho vai sozinho
Cai uma folhinha do limoeiro
Outra cai do caderno, caminhando para o chão
Para na minha mão e vira poesia
Virá outra página e outra escolha.
Thomás Sôlha
Medo
Há um guerreiro no fundo do lago
Existe um lago em cada um
Não sei se é pelo peso da armadura, por medo, ou pela densidade do sangue(...)
mas o guerreiro não nada
Pode ser mais forte do que a água
Tira a armadura guerreiro
Faz correr o sangue
O rosto já está lavado
Ninguém distinguirá lágrimas
Guerreiro, coragem!
Bebe o lago e o rio
Aceita meu desafio, mas não se afogue por medo.
Thomás Sôlha
Existe um lago em cada um
Não sei se é pelo peso da armadura, por medo, ou pela densidade do sangue(...)
mas o guerreiro não nada
Pode ser mais forte do que a água
Tira a armadura guerreiro
Faz correr o sangue
O rosto já está lavado
Ninguém distinguirá lágrimas
Guerreiro, coragem!
Bebe o lago e o rio
Aceita meu desafio, mas não se afogue por medo.
Thomás Sôlha
Sejam bem vindos.
Este é um canto para quem gosta de poesia
poesia sem compromisso com métrica
poesia porque é gostoso escrever
porque sim
porque sia
porquema
Thomás Sôlha
poesia sem compromisso com métrica
poesia porque é gostoso escrever
porque sim
porque sia
porquema
Thomás Sôlha
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