Eu sou o cão
Vago sem rumo ou direção
Minha dona joga os ossos
Os cato no chão
Lato pouco
Não mordo
Ando pelos becos, escondido das ruas
Escondo-me nas casas dos bairros pobres
Minha dona vive a me caçar
Sem comida de primeira
Ela aperta muito a coleira
Corro, sou um cão
Quando me flagram, ponho o rabo entre as pernas
Depois balanço para agradar
Quase não ladro
Cato ossos onde me escondo
Não cuido da casa
Fujo sempre
A dona a me caçar
Corro como posso
Quisera ter em minha própria casa
Um bom punhado de ração
Mas eu me escondo
Cato tudo pelo chão
Thomás Sôlha