O tempo
Mais pesado que a própria Terra
Pai dos pais e mãe da vida
Testemunho rápido de toda guerra
Mágico construidor de tudo
Tem o passado como escudo
E nunca está constante
É sem dúvida o mais gigante
E nem percebes, já levou tudo
Somos suas testumunhas
Passageiras, ridículas
E como tudo que também virá
Figuramos entre suas vítimas
Não o julgues cruel
Ele não te rouba todo o brilho
E permite num instante fugaz
Que contemples o sorriso do teu filho
Nada tarda pra ele
Nada é dele, que tudo leva
Não fica luz nem treva
Já vem vindo o tempo
Já vai indo e já foi
O antes vira depois
E o que virá, dirá o tempo
Dita cada momento
Monstro implacável
Boca maldita
Senhor e senhora
Do início e do fim
Thomás Sôlha 20/04/2016
Poemas do Peixe Sôlha
segunda-feira, 30 de maio de 2016
Kharma
Kharma
Eu sou o ódio que alimenta o seu amor
O fogo que acende o seu cigarro
O câncer que te matará um dia
Mas hoje sou sua pura alegria
Serei a droga que te consome por dentro
Serei também, no dia frio, o seu alento
Sou o papel que enrola o baseado
A garrafa quebrada no caminho
E preservo da garrafa o vinho
E te faço menos sóbrio
Sou o amor que te alimenta o ódio
Já fui vampiro e te roubei o sangue
Já te chupei na noite quente, incômoda
Tentas dormir, faço ranger a cômoda
E quando te sintas por fim, gente
Te levarei pra terra, cuspirei teus dentes
Sou a praga da sua família
A solidão que vai te derrubar
Cansado, quase morto
Trago o seu último suspiro
Se tu morresses por um tiro
Eu seria a pólvora e o revolver
E tanto sofras e te arrependas
Sou o melhor final que podereis ter
Sou Raul Seixas invocando versos
E à minha sombra, és um pobre coelho
E cantas roubados os meus versos
Que rapidamente vistes no espelho
Sou o fim do sol a queimar no céu
No dia que decidires ser planta
Mas posso ser a chuva tranquila
Como numa manhã cheirosa e mansa
Eu sou o bem e o mal
Sou o choro na cama coberta de placenta
Mas quando abres a porta
Eu sou a chuva que venta
Seria também um deus
Se você não fosse o mau
Seria todo teu
Se eu fosse real
Mas eu assombro os seus sonhos
Sou carnívoro e bizonho
Sou seu vizinho
Estou sob sua cama
Sou o medo de quem não ama
O valor do desonrado
O pranto vertido em lama
E os pregos no crucificado
Sou sem valor e sem cifra
Ninguém me decifra ou me come
Sou uma besta sem nome
A vagar pelo seu passado
Sou no bosque o veado
E na mão do caçador a flecha
Já disse, sou uma besta
A errar entra os homens
Quando sopra o vento mais pesado
E você já não aguenta o que vier
Serei a sensualidade balançando
Nos morenos cabelos de uma mulher
Mas sou também seu medo mais primitivo
Seu amigo indesejável
Um tormento quente e frio
Sou o vazio que te espera
Eu não sou a primavera
Nenhuma estação
Sou sua distração
No dia em que fores morto
Sou as flores azuis que te velam
Duma morte que eu mesmo causei
E não chegarás a ficar velha
A tua história eu queimei
Thomás Sôlha 13/04/2016
Eu sou o ódio que alimenta o seu amor
O fogo que acende o seu cigarro
O câncer que te matará um dia
Mas hoje sou sua pura alegria
Serei a droga que te consome por dentro
Serei também, no dia frio, o seu alento
Sou o papel que enrola o baseado
A garrafa quebrada no caminho
E preservo da garrafa o vinho
E te faço menos sóbrio
Sou o amor que te alimenta o ódio
Já fui vampiro e te roubei o sangue
Já te chupei na noite quente, incômoda
Tentas dormir, faço ranger a cômoda
E quando te sintas por fim, gente
Te levarei pra terra, cuspirei teus dentes
Sou a praga da sua família
A solidão que vai te derrubar
Cansado, quase morto
Trago o seu último suspiro
Se tu morresses por um tiro
Eu seria a pólvora e o revolver
E tanto sofras e te arrependas
Sou o melhor final que podereis ter
Sou Raul Seixas invocando versos
E à minha sombra, és um pobre coelho
E cantas roubados os meus versos
Que rapidamente vistes no espelho
Sou o fim do sol a queimar no céu
No dia que decidires ser planta
Mas posso ser a chuva tranquila
Como numa manhã cheirosa e mansa
Eu sou o bem e o mal
Sou o choro na cama coberta de placenta
Mas quando abres a porta
Eu sou a chuva que venta
Seria também um deus
Se você não fosse o mau
Seria todo teu
Se eu fosse real
Mas eu assombro os seus sonhos
Sou carnívoro e bizonho
Sou seu vizinho
Estou sob sua cama
Sou o medo de quem não ama
O valor do desonrado
O pranto vertido em lama
E os pregos no crucificado
Sou sem valor e sem cifra
Ninguém me decifra ou me come
Sou uma besta sem nome
A vagar pelo seu passado
Sou no bosque o veado
E na mão do caçador a flecha
Já disse, sou uma besta
A errar entra os homens
Quando sopra o vento mais pesado
E você já não aguenta o que vier
Serei a sensualidade balançando
Nos morenos cabelos de uma mulher
Mas sou também seu medo mais primitivo
Seu amigo indesejável
Um tormento quente e frio
Sou o vazio que te espera
Eu não sou a primavera
Nenhuma estação
Sou sua distração
No dia em que fores morto
Sou as flores azuis que te velam
Duma morte que eu mesmo causei
E não chegarás a ficar velha
A tua história eu queimei
Thomás Sôlha 13/04/2016
terça-feira, 27 de dezembro de 2011
Um cão
Eu sou o cão
Vago sem rumo ou direção
Minha dona joga os ossos
Os cato no chão
Lato pouco
Não mordo
Ando pelos becos, escondido das ruas
Escondo-me nas casas dos bairros pobres
Minha dona vive a me caçar
Sem comida de primeira
Ela aperta muito a coleira
Corro, sou um cão
Quando me flagram, ponho o rabo entre as pernas
Depois balanço para agradar
Quase não ladro
Cato ossos onde me escondo
Não cuido da casa
Fujo sempre
A dona a me caçar
Corro como posso
Quisera ter em minha própria casa
Um bom punhado de ração
Mas eu me escondo
Cato tudo pelo chão
Thomás Sôlha
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
O sushiman e o samurai
Levantam-se junto com o sol nascente
Escolhendo o peixe e a espada
Lâmina bem treinada
Corte preciso e rente
A lâmina é sempre forjada quente
Um mira a presa pescada
Outro, com o arco, cavalga na estrada
No convívio escondem técnicas, sem soberba aparente
O samurai sonha ser o melhor guardião
O sushiman prepara a ova de esturjão
Faz sashimi do salmão
Os dois se dedicam de coração
Mais fácil filetar gente, ou peixe?
Diariamente utilizam a faca
Com finalidades diferentes
Thomás Sôlha
Escolhendo o peixe e a espada
Lâmina bem treinada
Corte preciso e rente
A lâmina é sempre forjada quente
Um mira a presa pescada
Outro, com o arco, cavalga na estrada
No convívio escondem técnicas, sem soberba aparente
O samurai sonha ser o melhor guardião
O sushiman prepara a ova de esturjão
Faz sashimi do salmão
Os dois se dedicam de coração
Mais fácil filetar gente, ou peixe?
Diariamente utilizam a faca
Com finalidades diferentes
Thomás Sôlha
terça-feira, 27 de setembro de 2011
Complicado
Quem é o bicho mais pidão,
O homem, o rato ou o cão?
Um pega e rouba
Outro, pega do lixo
Outro pede com o olhar.
Não sei quem pede
Nem quem pega
Ou toma e esconde de mim
Só para si, maldito
Tão rato e tão cão conseguem ser os homens e mulheres vis
Mas não rouba por maldade o rato
E o cão não pede para acumular
O animal bípede sempre se supera na escrotisse
É um pouco complicado
Thomás Sôlha
O homem, o rato ou o cão?
Um pega e rouba
Outro, pega do lixo
Outro pede com o olhar.
Não sei quem pede
Nem quem pega
Ou toma e esconde de mim
Só para si, maldito
Tão rato e tão cão conseguem ser os homens e mulheres vis
Mas não rouba por maldade o rato
E o cão não pede para acumular
O animal bípede sempre se supera na escrotisse
É um pouco complicado
Thomás Sôlha
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
Não
O homem que não sabe dizer não, está morto
Jaz uma alma putrefa
Dentro de um corpo roto
Catando cinzas e latas
Quebrando e comendo pedra
Não diz não
Está morto
Ele não é
Ao mesmo tempo é um mulambo
Perambulando com a boca queimada
Sem amor
Nada
Thomás Sôlha
Jaz uma alma putrefa
Dentro de um corpo roto
Catando cinzas e latas
Quebrando e comendo pedra
Não diz não
Está morto
Ele não é
Ao mesmo tempo é um mulambo
Perambulando com a boca queimada
Sem amor
Nada
Thomás Sôlha
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
O pão em poema
O mel e a melodia
O pão e a poesia
O pão de cada dia
Mesa vazia
Mesa farta para uns
Pão em falta para muitos
Pão de mel é luxo
Mel puro é difícil
Mais difícil para as abelhas
Que roubam o néctar das flores do trigo
Na adolescência sorvi o néctar das Flores do Mal
Mas Charles não ligou
Amassa o trigo para formar a massa
A massa do pão, na mão
Fim do pãoema
Thomás Sôlha
O pão e a poesia
O pão de cada dia
Mesa vazia
Mesa farta para uns
Pão em falta para muitos
Pão de mel é luxo
Mel puro é difícil
Mais difícil para as abelhas
Que roubam o néctar das flores do trigo
Na adolescência sorvi o néctar das Flores do Mal
Mas Charles não ligou
Amassa o trigo para formar a massa
A massa do pão, na mão
Fim do pãoema
Thomás Sôlha
Assinar:
Postagens (Atom)